Aprender brincando: como a brincadeira influencia o aprendizado das crianças
Entenda como aprender brincando favorece a linguagem, a autonomia e o desenvolvimento na primeira infância. Conheça o olhar da AVIVA sobre o brincar.
Uma caixa vira uma casa. Um tecido se transforma em capa. Ao empilhar blocos, uma criança percebe que a torre precisa de uma base maior para continuar em pé. Nessas cenas, tão presentes no cotidiano da escola, as crianças experimentam ideias, fazem escolhas e descobrem novas possibilidades.
Aprender brincando envolve participar ativamente das próprias descobertas. Na primeira infância, a brincadeira oferece oportunidades para desenvolver a linguagem, o pensamento, os movimentos e as relações com outras pessoas. Um relatório da Academia Americana de Pediatria destaca sua contribuição para o desenvolvimento infantil e para a construção de vínculos seguros com os adultos.
Na AVIVA, especialista em Primeira Infância, esse olhar se conecta ao nosso propósito de manter viva a Primeira Voz da criança. Ao acolher o que ela inventa, pergunta e comunica enquanto brinca, reconhecemos sua maneira singular de estar no mundo.
Por que brincar favorece a aprendizagem?
O UNICEF e a Fundação LEGO descrevem experiências de aprendizagem pelo brincar como significativas, envolventes e abertas à experimentação. A criança relaciona o que faz ao que já conhece, testa possibilidades e pode rever suas ideias. Sua participação nas escolhas é parte essencial desse processo.
Pense em uma brincadeira de construir uma ponte: escolher peças, observar o que sustenta a estrutura e tentar outra solução quando ela cai cria oportunidades para investigar relações de tamanho, equilíbrio e espaço. A pergunta “o que podemos mudar?” ajuda a manter a investigação nas mãos da criança.
O que acontece com a atenção e a memória?

Alunos da AVIVA jogando UNO
Segundo o Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade Harvard, jogos e atividades lúdicas permitem praticar habilidades como atenção, memória e autocontrole. Elas fazem parte das funções executivas, que ajudam a organizar ações e lidar com desafios.
Em uma brincadeira de estátua, por exemplo, a criança precisa acompanhar a música e interromper o movimento quando ela para. Ao lembrar uma sequência de gestos, utiliza a memória corporal. São oportunidades de prática, com desafios ajustados à idade e às possibilidades de cada criança, sem expectativa de desempenho igual para todas.
Linguagem e imaginação ganham espaço
No faz de conta, as crianças encontram motivos para conversar: combinam quem será cada personagem, explicam o que está acontecendo e inventam os novos cenários. Uma brincadeira de restaurante pode envolver pedidos, descrições de alimentos e negociações sobre os papéis de cada participante. O relatório da Academia Americana de Pediatria relaciona o brincar ao desenvolvimento da linguagem e de habilidades sociais.
A imaginação também permite experimentar outras formas de ver uma situação. Em um conteúdo do UNICEF sobre o brincar, especialistas explicam como a exploração do corpo e dos objetos se amplia para a brincadeira simbólica, na qual as crianças criam cenários e possibilidades.

Alunos da AVIVA brincando com areia.
É uma oportunidade de escutar a Primeira Voz da criança: dar atenção às histórias que a criança cria e permitir que suas ideias tenham espaço, inclusive quando seguem um caminho que o adulto não havia imaginado.
Conviver também se aprende na brincadeira
Brincar com outras crianças traz encontros e diferenças. Duas crianças podem querer o mesmo brinquedo ou imaginar finais distintos para a mesma história. Com apoio dos adultos, esses momentos permitem praticar a escuta, expressar desejos e construir acordos. A comunicação e a negociação de pontos de vista estão entre as aprendizagens descritas pelo UNICEF.
As brincadeiras também podem abrir caminhos para expressar sentimentos que a criança ainda não consegue explicar em palavras. O UNICEF destaca que brincar junto fortalece vínculos e pode ajudar a elaborar emoções. Um adulto disponível observa, acolhe e oferece apoio quando necessário.

Brincadeira coletiva com a mediação da professora na AVIVA.
O corpo participa das descobertas
Rolar, dançar, correr, modelar e encaixar objetos oferecem experiências diferentes de movimento e exploração. Ao brincar, a criança entra em contato com as possibilidades do próprio corpo. A Academia Americana de Pediatria inclui o desenvolvimento físico entre as dimensões favorecidas pelas experiências lúdicas.
Para os bebês, descobrir as mãos, acompanhar expressões do adulto e explorar objetos adequados à idade já faz parte desse universo. O UNICEF ressalta a importância das experiências com os sentidos, das interações e do contato com objetos nos primeiros anos.

Experiências táteis com água na AVIVA.
O papel da escola na aprendizagem pelo brincar
Na Educação Infantil, interações e brincadeiras orientam as práticas pedagógicas. A Base Nacional Comum Curricular reconhece o brincar entre os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento, junto de conviver, participar, explorar, expressar e conhecer-se. O MEC reforça a importância de ambientes acolhedores e desafiadores, que permitam investigar e experimentar.

Organização do espaço para uma brincadeira sobre acampamento na AVIVA.
Cabe ao educador organizar espaços e materiais, observar os interesses do grupo e propor experiências que ampliem suas descobertas. A intencionalidade pedagógica pode conviver com a liberdade de escolha: uma pergunta, um novo material ou o tempo para retomar uma construção podem enriquecer o brincar.
Esse cuidado dialoga com o respeito ao processo que orienta a AVIVA. Escuta real, acolhimento e valorização da singularidade ajudam a reconhecer o que cada criança comunica. Manter a Primeira Voz viva é o melhor que sabemos fazer: também durante a brincadeira, quando um gesto ou uma invenção revela tanto sobre quem ela é.
Como abrir espaço para o brincar em família
Em casa, o convite pode começar com presença e curiosidade. Brincar junto permite conhecer o mundo pela perspectiva da criança e fortalecer a relação com ela. Algumas possibilidades para experimentar no cotidiano são:
- Dê autonomia: Reserve momentos em que a criança possa escolher a brincadeira e explorar suas próprias ideias.
- Ofereça materiais abertos: Disponibilize recursos seguros e adequados à idade, como blocos, caixas e objetos cotidianos que possam ganhar diferentes usos.
- Acompanhe a iniciativa: Siga o ritmo da criança. Perguntas como: “como funciona?” ajudam a abrir uma conversa rica sobre o que ela inventou.
- Estimule os bebês: Brinque com sons, expressões faciais e cantigas, observando atentamente suas respostas e pausas.
- Promova a acessibilidade: Adapte espaços e materiais para favorecer a participação de todos, respeitando as necessidades, interesses e formas singulares de comunicação de cada um.
O adulto também pode se permitir imaginar. Ao entrar em uma história ou descobrir uma nova função para uma caixa, encontra uma oportunidade de se aproximar da própria Primeira Voz. Esse encontro entre crianças e adultos faz parte do mundo que a AVIVA deseja cultivar.
Por um mundo guiado pela Primeira Voz, vamos oferecer tempo, escuta e espaço para brincar.
Conheça a proposta da AVIVA e descubra nosso olhar para a Primeira Infância.
Fontes e referências
1. Yogman e colaboradores. The Power of Play. Pediatrics, 2018.
2. UNICEF e Fundação LEGO. Learning through Play, 2018.
3. Harvard Center on the Developing Child. Brain-Building Through Play.
4. UNICEF. How babies learn through play.
5. UNICEF. How play strengthens your child’s mental health.
6. Ministério da Educação. O lugar do lúdico na Educação Infantil.

