Agressividade na Infância: o que esse comportamento comunica?
Recentemente, nossa equipe de Futuras Professoras participou de uma formação enriquecedora com a neuropsicopedagoga e psicóloga (CRP SP 2295-05) Beatriz Montenegro, que trouxe um olhar profundo e científico sobre como lidar com a agressividade na infância. Vamos compartilhar aqui alguns aprendizados dessa formação!

A agressividade na infância é um sentimento natural, especialmente comum entre crianças de 1 a 3 anos que ainda não aprenderam a controlar suas frustrações e reações. Mais do que um “problema de disciplina”, aprendemos que todo comportamento comunica algo, e o comportamento agressivo é a “ponta do iceberg” de necessidades que precisam ser ouvidas.
A Agressividade na Infância como Energia e Comunicação
Um dos pontos centrais da formação foi a distinção entre a agressividade na infância funcional e a violência. A agressividade na infância pode ser vista como a energia que nos faz agir sobre o mundo, presente desde quando o bebê aprende a engatinhar ou pegar objetos. Já a violência surge como uma resposta à perda de controle quando limites são atingidos. Por isso, o papel do adulto não é reprimir, mas realizar uma “alfabetização emocional” para que os pequenos saibam nomear e lidar com o que sentem.
O Cérebro em Construção: Por que eles perdem o controle?
Segundo Beatriz, a neurociência explica que as crianças são seres “body up“, o que significa que a regulação e a desregulação acontece primeiro pelo corpo e depois para a mente (cognição): o corpo reage instintivamente antes que a mente consiga processar a situação. Isso ocorre porque o córtex pré-frontal, que funciona como o “freio” do cérebro e é responsável pelo controle de impulsos e decisões conscientes, só termina de amadurecer por volta dos 25 anos.
Enquanto esse “freio” está se desenvolvendo, áreas mais primitivas, como a amígdala (nosso alarme emocional), dominam a cena diante de sentimentos de medo, angústia ou separação. Quando uma criança bate ou grita, muitas vezes é o seu cérebro interpretando uma frustração como uma ameaça real à sua segurança.

Fatores que Influenciam o Comportamento Desafiador
Beatriz destacou que a agressividade na infância tem causas multifatoriais, que incluem o ambiente e as necessidades da criança como gatilho: sono, fome e vínculos afetivos instáveis podem gerar o comportamento desafiador.
Dicas para Lidar com Crises
1. Cultive a Segurança para Evitar a “Neurocepção” de Perigo: o cérebro da criança possui um mecanismo chamado neurocepção, que se pergunta constantemente: “estou seguro?”. Se a criança identifica uma situação como ameaçadora (como ter um brinquedo retirado de sua mão), o cérebro dispara um alerta de perigo, gerando uma reação instintiva e agressiva. O papel do adulto é criar um ambiente previsível e acolhedor para que o sistema de alerta da criança (a amígdala) não seja ativado desnecessariamente.
2. O Adulto como Âncora e Modelo de Regulação: lembre-se de que as crianças são reflexos de seus adultos de referência. Um educador ou cuidador desregulado, que grita ou ameaça, apenas reforça a sensação de perigo no cérebro da criança. Para oferecer segurança, o adulto deve manter a calma e a firmeza, servindo de “freio” externo enquanto o córtex pré-frontal da criança (responsável pelo controle de impulsos) ainda está em desenvolvimento.
3. Redirecionamento durante a Crise: quando um episódio de agressividade na infância acontece, a prioridade é interromper o ciclo de desregulação. Em vez de focar apenas na repressão, o adulto deve redirecionar a criança para outra atividade. Isso ajuda a tirar o foco do estímulo que gerou a frustração e permite que o sistema nervoso da criança comece a se acalmar em um novo contexto.
4. “Alfabetização Emocional”: nomeie para acalmar. Após a crise passar, dê atenção total aos sentimentos da criança. Ajude-a a nomear o que sentiu (ex: “Eu sei que você ficou com raiva porque queria o balanço agora”). Validar a emoção não significa aceitar o comportamento agressivo, mas ajuda a criança a desenvolver a autorregulação. Quando a criança entende o que sente, ela começa a depender menos das reações físicas (“body up“) e passa a usar mais os processos reflexivos do cérebro.
5. Investigue o “Iceberg”: todo comportamento agressivo comunica uma necessidade não atendida. É essencial investigar mais profundamente o que levou a criança a agir assim: sono insuficiente, fome ou falta de movimento costumam ser gatilhos importantes para comportamentos desafiadores.

A formação reforçou nosso compromisso em criar um ambiente onde a criança se sinta segura para aprender a sentir. Afinal, educar entre neurônios e emoções é, acima de tudo, um ato de amor e paciência com o tempo de cada cérebro.
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